Acho que vou usar protector solar
Acho que também dá energia.
sábado, 17 de maio de 2008
quinta-feira, 15 de maio de 2008
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
sábado, 22 de dezembro de 2007
Postais
É, regra geral, uma seca a quantidade de postais de Natal que recebemos nesta altura. Uns vêm do banco, outros das seguradoras, até o meu contabilista me enviou um (obrigado Nuno).
Imensos vêem pela net. Os piores são aqueles que são enviados através de sites, os quais podem ser personalizados mas ficamos automaticamente anexados à base de dados da empresa que não pára de nos chatear com newsletters de actualizações permanentes e prioritárias.
Após uns quantos cliques cheguei a alguns deliciosos. São de um caricaturista Argentino radicado em Espanha. Em Espanha, não. Na Galiza!
Chama-se Omar Perez e segue a mais bela tradição de Quino.
Eu enviei-os para quem mais gostava!

Referência às alterações climáticas e à urgência do protocolo de Quioto

Sobre os conflitos no Médio Oriente
Deliciosos, não?
Imensos vêem pela net. Os piores são aqueles que são enviados através de sites, os quais podem ser personalizados mas ficamos automaticamente anexados à base de dados da empresa que não pára de nos chatear com newsletters de actualizações permanentes e prioritárias.
Após uns quantos cliques cheguei a alguns deliciosos. São de um caricaturista Argentino radicado em Espanha. Em Espanha, não. Na Galiza!
Chama-se Omar Perez e segue a mais bela tradição de Quino.
Eu enviei-os para quem mais gostava!

Referência às alterações climáticas e à urgência do protocolo de Quioto

Sobre os conflitos no Médio Oriente
Deliciosos, não?
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Surpresa!
Num dos devaneios de Natal, aconteceu a brilhante ideia de presentear alguns casais amigos com produtos de um armazém asiático recentemente descoberto pela M.
Mesmo com a responsabilidade acrescida pelo tamanho da barriga, lá veio carregada de caril, arroz, picante, pão “papad”, esparguete de arroz, cogumelos secos e muitos molhos de soja misturados com os seus irrequietos rebentos.
Quando embrulhámos todos os ingredientes nos seus respectivos recipientes, sobrou um pequeno bolinho, espécie de bolacha envolvido num papel de cor dourado brilhante.
Surpresa! Era um bolinho da sorte!
E eu que sempre desejei saber como eram, ao que sabiam, qual a sua textura… tantos casais concluíram as suas refeições em Chinatowns de cartão com um bolinho da sorte, antes de se beijarem apaixonadamente para as câmaras montadas em Hollywood.
Yupppi, finalmente vou ver como são!

São rijos e sabem a bolacha maria, mas um pouco mais doces. Lá dentro vinha o famoso papel vegetal (tal como o dos bombons italianos) com a frase da minha fortuna.
“The spirit is like a parachute, which is useful only when it is open.”
Gostei, e deu-me que pensar…
Afinal foram duas as surpresas de Natal!
Mesmo com a responsabilidade acrescida pelo tamanho da barriga, lá veio carregada de caril, arroz, picante, pão “papad”, esparguete de arroz, cogumelos secos e muitos molhos de soja misturados com os seus irrequietos rebentos.
Quando embrulhámos todos os ingredientes nos seus respectivos recipientes, sobrou um pequeno bolinho, espécie de bolacha envolvido num papel de cor dourado brilhante.
Surpresa! Era um bolinho da sorte!
E eu que sempre desejei saber como eram, ao que sabiam, qual a sua textura… tantos casais concluíram as suas refeições em Chinatowns de cartão com um bolinho da sorte, antes de se beijarem apaixonadamente para as câmaras montadas em Hollywood.
Yupppi, finalmente vou ver como são!

São rijos e sabem a bolacha maria, mas um pouco mais doces. Lá dentro vinha o famoso papel vegetal (tal como o dos bombons italianos) com a frase da minha fortuna.
“The spirit is like a parachute, which is useful only when it is open.”
Gostei, e deu-me que pensar…
Afinal foram duas as surpresas de Natal!
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
GRILOS
Foi no longínquo ano de 1906 que ambos nasceram.
Conheceram-se na aldeia onde sempre viveram e onde hoje estão sepultados.
O primeiro nasceu em Março, mais precisamente no dia 7. Chamaram-no de António e herdou apenas o nome do pai. Silva. Para se distinguir dos outros 3 Antónios da Silva que viviam em Vinhó, Freguesia de Vila Cova, Conselho de Arganil, foi necessário acrescentar nos correios o seu alcunho entre parêntesis. Passou a ser o António da Silva (Grilo). Os outros não fugiram à maldição. Um ficou (Pinheiro) e outro (Majerico).
Dois meses menos um dia depois nasceu a Palmira. Ela teve direito a mais nomes e ficou do Carmo Lopes.
Estive presente nas suas bodas de ouro, na pequena capela de Vinhó, juntamente com os seus doze filhos e trinta e dois netos. Não consegui contar os bisnetos. Agora são mais. Muitos mais…
Consta da boca dos antigos que, durante a segunda guerra mundial, tempos da fome e do racionamento, as poucas sacas de farinha que chegavam à aldeia iam em primeiro lugar para os grilos, tal era a necessidade de alimentar as bocas que iam surgindo.
A dificuldade não foi só em relação à alimentação. Também foi difícil escolher nomes para tantos filhos: Benvinda, Silvéria, Victor, Nautílio, Jorge, Diamantino, Daniel, João, Odete, Ester, Elisabete e Margarida. Distam 20 anos do primeiro ao último. O meu pai foi o oitavo, mas ficou no meio em termos de tempo. Tem menos dez anos que a Benvida e mais dez do que a Guida.
Ao que parece faziam as delícias das comissões de festas da altura. Quando chegavam enchiam os bailes e tanto rapazes como raparigas das várias aldeias que visitavam tinham par para dançar.
António da Silva (Grilo) ficou conhecido pelos bois. Na falta dos tractores, eram os homens dos bois que corriam as terras, sulcando-as para as sementeiras. O meu avô foi um desses. Mais tarde, quando as pernas já davam de si e as máquinas venceram a guerra aos animais, dedicou-se às cestas. Primeiro de madeira e depois de tiras de plástico. Coloridas e duras, que arranhavam as mãos e picavam. Ainda tenho uma das últimas que entretanto passei à L. Sempre preferi as de madeira, que ele cuidadosamente trabalhava na “loja” que dantes era dos porcos. Rasgava longas tiras de um pedaço de nogueira, e entrançava-as até formarem o suporte dos peixes que peixeiras levavam à cabeça ou de batatas que mães transportavam debaixo das axilas. Adorava passear por entre as aparas que alcatifavam o chão frio e se colavam às calças de bombazina.
Bebeu até não poder mais e os seus últimos desejos foram cumpridos na visita à feira dos bois, onde opinava sobre a qualidade dos bichos com uma voz consumida pelos copos que entretanto bebia com os amigos.
A minha avó pouco mais fazia do que cuidar das doze crianças, dar comida ao gado, cuidar do campo, lavar e cozer roupa, cozinhar, debulhar feijão, plantar batatas, espalhar estrume, colher couves, cozinhar o mais belo guisado de galinha com esparguete que comi até hoje.
A casa deles tinha buracos em todas as portas. Eram buracos em forma de “U” invertido. Trocavam calor por companhia. Era agradável sentarmo-nos à lareira, com os joelhos a coçarem as panelas de ferro com sopa sempre feita e água sempre quente, e os pés a serem sacudidos pelos gatos. A casa de banho era um buraco que dava para a “loja dos bois”, onde o nosso estrume se juntava ao deles.
Apesar de nem todos os filhos terem estado presentes, nem tão pouco todos os netos, alguns estiveram comigo este fim-de-semana. Sempre fomos unidos e gostámos uns dos outros. Ainda estamos todos vivos, o que de si é surpreendente. Mas o mais surpreendente foram aqueles que, não sendo grilos de sangue, são-no de direito. Casaram connosco e connosco tiveram filhos. Este fim-de-semana, eles juntaram-se e gritaram bem alto que eram grilos.
E, uma vez mais, a liga da noiva ficou na mão dos grilos.

Páscoa de 1964
Conheceram-se na aldeia onde sempre viveram e onde hoje estão sepultados.
O primeiro nasceu em Março, mais precisamente no dia 7. Chamaram-no de António e herdou apenas o nome do pai. Silva. Para se distinguir dos outros 3 Antónios da Silva que viviam em Vinhó, Freguesia de Vila Cova, Conselho de Arganil, foi necessário acrescentar nos correios o seu alcunho entre parêntesis. Passou a ser o António da Silva (Grilo). Os outros não fugiram à maldição. Um ficou (Pinheiro) e outro (Majerico).
Dois meses menos um dia depois nasceu a Palmira. Ela teve direito a mais nomes e ficou do Carmo Lopes.
Estive presente nas suas bodas de ouro, na pequena capela de Vinhó, juntamente com os seus doze filhos e trinta e dois netos. Não consegui contar os bisnetos. Agora são mais. Muitos mais…
Consta da boca dos antigos que, durante a segunda guerra mundial, tempos da fome e do racionamento, as poucas sacas de farinha que chegavam à aldeia iam em primeiro lugar para os grilos, tal era a necessidade de alimentar as bocas que iam surgindo.
A dificuldade não foi só em relação à alimentação. Também foi difícil escolher nomes para tantos filhos: Benvinda, Silvéria, Victor, Nautílio, Jorge, Diamantino, Daniel, João, Odete, Ester, Elisabete e Margarida. Distam 20 anos do primeiro ao último. O meu pai foi o oitavo, mas ficou no meio em termos de tempo. Tem menos dez anos que a Benvida e mais dez do que a Guida.
Ao que parece faziam as delícias das comissões de festas da altura. Quando chegavam enchiam os bailes e tanto rapazes como raparigas das várias aldeias que visitavam tinham par para dançar.
António da Silva (Grilo) ficou conhecido pelos bois. Na falta dos tractores, eram os homens dos bois que corriam as terras, sulcando-as para as sementeiras. O meu avô foi um desses. Mais tarde, quando as pernas já davam de si e as máquinas venceram a guerra aos animais, dedicou-se às cestas. Primeiro de madeira e depois de tiras de plástico. Coloridas e duras, que arranhavam as mãos e picavam. Ainda tenho uma das últimas que entretanto passei à L. Sempre preferi as de madeira, que ele cuidadosamente trabalhava na “loja” que dantes era dos porcos. Rasgava longas tiras de um pedaço de nogueira, e entrançava-as até formarem o suporte dos peixes que peixeiras levavam à cabeça ou de batatas que mães transportavam debaixo das axilas. Adorava passear por entre as aparas que alcatifavam o chão frio e se colavam às calças de bombazina.
Bebeu até não poder mais e os seus últimos desejos foram cumpridos na visita à feira dos bois, onde opinava sobre a qualidade dos bichos com uma voz consumida pelos copos que entretanto bebia com os amigos.
A minha avó pouco mais fazia do que cuidar das doze crianças, dar comida ao gado, cuidar do campo, lavar e cozer roupa, cozinhar, debulhar feijão, plantar batatas, espalhar estrume, colher couves, cozinhar o mais belo guisado de galinha com esparguete que comi até hoje.
A casa deles tinha buracos em todas as portas. Eram buracos em forma de “U” invertido. Trocavam calor por companhia. Era agradável sentarmo-nos à lareira, com os joelhos a coçarem as panelas de ferro com sopa sempre feita e água sempre quente, e os pés a serem sacudidos pelos gatos. A casa de banho era um buraco que dava para a “loja dos bois”, onde o nosso estrume se juntava ao deles.
Apesar de nem todos os filhos terem estado presentes, nem tão pouco todos os netos, alguns estiveram comigo este fim-de-semana. Sempre fomos unidos e gostámos uns dos outros. Ainda estamos todos vivos, o que de si é surpreendente. Mas o mais surpreendente foram aqueles que, não sendo grilos de sangue, são-no de direito. Casaram connosco e connosco tiveram filhos. Este fim-de-semana, eles juntaram-se e gritaram bem alto que eram grilos.
E, uma vez mais, a liga da noiva ficou na mão dos grilos.

Páscoa de 1964
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Está quase...
Pois é…
E agora… quando telefonar para casa dos meus pais, quem irá atender?
Passarei a ter de telefonar também para casa dela?
Como irão ser os almoços de fim de semana?
Engraçado como o problema reside em mim e não nela. Sou eu é que não a terei do outro lado do telefone. Sou eu é que terei de almoçar noutro local. Sou eu é que não a terei só para mim (se é que alguma vez a tive).
Uma vez mais sinto que, ao contrário do que todos supomos, temos saudades do que vamos perder.
Tenho a certeza de que ela será feliz. Todos o somos, por breves instantes. E não creio que esteja relacionada a felicidade com o que consta na parte de traz do BI.
Este sábado disfarçarei as lágrimas com copos de vinho, cerveja, champanhe ou o que quer que seja!
Força, minha linda!
E agora… quando telefonar para casa dos meus pais, quem irá atender?
Passarei a ter de telefonar também para casa dela?
Como irão ser os almoços de fim de semana?
Engraçado como o problema reside em mim e não nela. Sou eu é que não a terei do outro lado do telefone. Sou eu é que terei de almoçar noutro local. Sou eu é que não a terei só para mim (se é que alguma vez a tive).
Uma vez mais sinto que, ao contrário do que todos supomos, temos saudades do que vamos perder.
Tenho a certeza de que ela será feliz. Todos o somos, por breves instantes. E não creio que esteja relacionada a felicidade com o que consta na parte de traz do BI.
Este sábado disfarçarei as lágrimas com copos de vinho, cerveja, champanhe ou o que quer que seja!
Força, minha linda!
sábado, 1 de dezembro de 2007
Parabéns
Fizeste um ano e eu fiz mais um.
Um brinde a ti e outro a mim.
Que sejamos os dois muito felizes, que contemos muitos e que os outros o vejam.
Assopremos as velas, os dois ao mesmo tempo, e peçamos um desejo. Um desejo secreto que não se pode contar sob pena de não se realizar. Um desejo só nosso, inconfessável, insondável, discreto.
Como o de para o ano termos um bolo com velas e força para as soprar.
Um brinde a ti e outro a mim.
Que sejamos os dois muito felizes, que contemos muitos e que os outros o vejam.
Assopremos as velas, os dois ao mesmo tempo, e peçamos um desejo. Um desejo secreto que não se pode contar sob pena de não se realizar. Um desejo só nosso, inconfessável, insondável, discreto.
Como o de para o ano termos um bolo com velas e força para as soprar.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Cassete Pirata
Já assisti a umas seis ou sete ecografias.
O processo é sempre o mesmo. Pedem para ela desapertar a roupa e colocam-lhe um papel azul reciclado (pelo menos tem esse aspecto) na zona púbica, mal se deita na marquesa de napa preta. Colocam-lhe um líquido viscoso na barriga, estilo gel para o cabelo, mas sem o cheiro característico deste, e, então, a médica ginecologista (ou obstetra) pega no scanner e passa-o rapidamente por toda a superfície do ventre dilatado pelo novo ser que procura crescer em ambiente condicionado, de forma a espalhar o gel para facilitar a progressão do aparelho em forma de “T”.
Nesse momento, e só então, reparamos que a médica se transforma em comandante de avião comercial. A sala escurecida é agora um cockpit, o monitor um radar, as luzes são alarmes, os botões ficam ignições e os interruptores comandos de flaps.

No radar surgem imagens imperceptíveis que só a comandante percebe. Vêm-se linhas que ela desenha e diz coisas que a co-piloto escreve num computador, suspeito eu que seja o diário de bordo.
A comandante vai falando e tentando descrever o que só ela consegue ver: Aqui está a coluna, os hemisférios do cérebro, os rins, o fígado…
Maravilha… quem diria…
A ecografia, como o próprio nome indica, baseia-se no princípio físico do eco, i.e., o captar do reflexo da onda provocada pelo som, quando esta encontra no seu percurso uma barreira ou um obstáculo (que deverá ser denso e feito de um material que não absorva as ondas). O ser humano apenas consegue captar o reflexo da onda do som, se esta encontrar um obstáculo a uma distância superior a 17 metros, uma vez que o ouvido e cérebro humanos apenas conseguem distinguir sons com uma diferença de 0,1 segundos. Esta máquina não. Ultrapassa as limitações da nossa obsoleta condição e eleva-nos a um estado de evolução bio-tecnológico ímpar, qual super homens com mais sentidos do que os outros.
A única coisa que me leva a acreditar que, das seis ou sete vezes, não estive sempre a ver a mesma cassete previamente gravada e sistematicamente reproduzida para os sucessivos casais que, ordeiramente e em silêncio, se vão iludindo perante uma máquina/cockpit (não sem antes serem vítimas de uma dramatização convincente - despir, colocar gel para o cabelo, o pormenor do papelinho azul), são as impressões oferecidas e que podemos levar para casa, em papel de fax, com imagens de faces e membros dificilmente reconhecíveis como sendo de um embrião humano.

Mas mesmo estas, apesar de diferentes de ecografia para ecografia, podiam já ter sido impressas, ou não?
Afinal, quem se dá ao trabalho de colocar gel e papelinhos azuis…
O processo é sempre o mesmo. Pedem para ela desapertar a roupa e colocam-lhe um papel azul reciclado (pelo menos tem esse aspecto) na zona púbica, mal se deita na marquesa de napa preta. Colocam-lhe um líquido viscoso na barriga, estilo gel para o cabelo, mas sem o cheiro característico deste, e, então, a médica ginecologista (ou obstetra) pega no scanner e passa-o rapidamente por toda a superfície do ventre dilatado pelo novo ser que procura crescer em ambiente condicionado, de forma a espalhar o gel para facilitar a progressão do aparelho em forma de “T”.
Nesse momento, e só então, reparamos que a médica se transforma em comandante de avião comercial. A sala escurecida é agora um cockpit, o monitor um radar, as luzes são alarmes, os botões ficam ignições e os interruptores comandos de flaps.

No radar surgem imagens imperceptíveis que só a comandante percebe. Vêm-se linhas que ela desenha e diz coisas que a co-piloto escreve num computador, suspeito eu que seja o diário de bordo.
A comandante vai falando e tentando descrever o que só ela consegue ver: Aqui está a coluna, os hemisférios do cérebro, os rins, o fígado…
Maravilha… quem diria…
A ecografia, como o próprio nome indica, baseia-se no princípio físico do eco, i.e., o captar do reflexo da onda provocada pelo som, quando esta encontra no seu percurso uma barreira ou um obstáculo (que deverá ser denso e feito de um material que não absorva as ondas). O ser humano apenas consegue captar o reflexo da onda do som, se esta encontrar um obstáculo a uma distância superior a 17 metros, uma vez que o ouvido e cérebro humanos apenas conseguem distinguir sons com uma diferença de 0,1 segundos. Esta máquina não. Ultrapassa as limitações da nossa obsoleta condição e eleva-nos a um estado de evolução bio-tecnológico ímpar, qual super homens com mais sentidos do que os outros.
A única coisa que me leva a acreditar que, das seis ou sete vezes, não estive sempre a ver a mesma cassete previamente gravada e sistematicamente reproduzida para os sucessivos casais que, ordeiramente e em silêncio, se vão iludindo perante uma máquina/cockpit (não sem antes serem vítimas de uma dramatização convincente - despir, colocar gel para o cabelo, o pormenor do papelinho azul), são as impressões oferecidas e que podemos levar para casa, em papel de fax, com imagens de faces e membros dificilmente reconhecíveis como sendo de um embrião humano.

Mas mesmo estas, apesar de diferentes de ecografia para ecografia, podiam já ter sido impressas, ou não?
Afinal, quem se dá ao trabalho de colocar gel e papelinhos azuis…
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segunda-feira, 5 de novembro de 2007
R-X
FAÇA O FAVOR DE RETIRAR TODOS OS OBJECTOS METÁLICOS
Foi em Novembro de 1895, mais precisamente numa 6ª feira, que o professor de física Wilhelm Conrad Röntgen, alemão, se encontrou acidentalmente com um novo tipo de raios. Investigando os invisíveis raios produzidos num díodo (feixes de electrões que se movem de um cátodo para um ânodo num tubo hermeticamente fechado) reparou que estes criavam uma feixe luminoso quando escurecidos. A sua experiência consistia em criar uma “janela” de alumínio por onde os raios pudessem sair e uma folha de cartão pintada com barium platinocyanide onde os mesmos incidiriam. Ora, ao incidirem nessa folha de cartão, Röntgen reparou que criavam uma luz fluorescente nada comum. Estavam descobertos, acidentalmente, os raios x.
SIM, SIM, A ALIANÇA TAMBÉM…
O nome dado a estes raios, que mais tarde iriam ficar mundialmente conhecidos e serviriam de imaginários a um sem número de romances, ficções e heróis da banda desenhada, não foi, tal como a descoberta dos mesmos, propositada. Pura e simplesmente ficaram designados pela expressão matemática do número desconhecido.
Foram 15 dias de intensas experiências, onde o professor passou a dormir no laboratório, escrevendo incansavelmente as suas notas.
Sensivelmente duas semanas após a descoberta da estranha luz fluorescente, tirou a primeira imagem por intermédio dos novos raios. A imagem foi a da mão da sua esposa, Anna Bertha. Consta que, ao observar a imagem do esqueleto da sua própria mão, Anna terá exclamado: “Eu vi a minha morte!”

AGORA DEITE-SE DE BARRIGA PARA CIMA. TEM A CERTEZA QUE NÃO TEM BOTÕES METÁLICOS?
Num destes fins de semana estive com a malta da minha rua. Fomos todos beber e comer a uma cervejaria dos subúrbios. O motivo foi o casamento do Frederico (ou Fred, como é conhecido pelos que cresceram juntos). Eu não fui convidado, claro, pois sou de uma geração mais velha. Quem é da geração dele são os nossos irmãos. E esses foram-no.
No final de um dia de verão, com as luzes dos candeeiros já acesas, alguém lançou uma bola à imaginária barra riscada entre as portas dos prédios. Eram tempos em que os carros não ocupavam todos os lugares de estacionamento. O Fred, miudito, estava à baliza e gritou 3 vezes: “Foi à ‘raba!’”. Um dia depois do seu casamento ainda é conhecido por isso. Há cicatrizes que a vida não gosta de apagar.
AGORA FIQUE QUIETO, SIM?
O convite veio do Miguel. O Miguel era o meu vizinho de baixo.
Pouco depois de se ter mudado para o nosso bairro, enganou-se e foi tocar à nossa porta. Quando a abrimos, o pequenito Miguel, assustado, desatou a chorar. Os pais não estavam em casa. Ainda agora tinham chegado a uma casa nova e já se tinham ido embora. Entrou e ficámos amigos para o resto da tarde. Passávamos os dias à espera de irmos brincar para casa um do outro. Eu sempre preferi os brinquedos dele e gosto de acreditar que ele também preferia os meus. Quando os trocávamos (e eu finalmente podia levar os soldadinhos do Miguel para o campo de batalha na colcha amachucada da minha cama) já éramos amigos para o resto da vida.
Os nossos irmãos nasceram no mesmo ano. O dele, o Filipe, estava sentado ao lado dele. A minha ficou em casa. Nessa noite não pode reencontrar quem nunca perdeu.
TCHACK!
Do outro lado estava o Nuno. Vivia no prédio ao lado e só ficámos amigos mais tarde. Ainda assim tivemos tempo para fazer jogos de futebol até ao por do sol e bastante depois disso. O Nuno jogava muito bem e todos queriam ser da equipa dele. Para além disso nunca se zangava e tinha quase sempre razão. Só reparei que gaguejava quando alguém mo disse. Há cicatrizes que só existem porque os outros querem.
O irmão também lá estava com a sua namorada nova. O Joca veio da Escócia de propósito para o casório. E desta vez a namorada é Polaca. Já lhe tínhamos conhecido uma Inglesa e outra Russa ou Lituana.
VIRE-SE AGORA DE BARRIGA PARA BAIXO, ESTÁ BEM?
Na ponta estava o Pedro. Vivia no prédio da frente e sempre foi o mais conflituoso. Nunca gostou de perder nem que os outros tivessem razão. Era sempre bom tê-lo na nossa equipa, pois dava caneladas nos outros a corria até não poder mais. Foi dos primeiros a falar-me sobre política e a mostrar-me os fundamentos do comunismo, apesar de uma ano mais novo. Era óptimo quando o Pedro podia vir à rua, pois assim já dava para fazermos uma equipa e jogar com a outra rua. E também atirava pedras com mais força do que qualquer um de nós!
O Hugo estava sentado em frente ao irmão mais velho. Ele também se fez forte e foi embora. Rumou à Suíça e aproveitou as promoções da easyjets para vir ao casamento.
AGORA QUIETO, POR FAVOR
Bastante mais tarde chegou o Ruben com a namorada. O Ruben era o irmão da Sandra, a rapariga mais bonita da rua. Todos nos apaixonámos por ela e, cada um à sua maneira, acreditou que ela gostava era dele. Ficámos a saber que já tem 3 filhos e, apesar de recentemente divorciada, foi viver para Espanha.
TCHACK
O motivo do encontro, afinal, não foi o casório, mas a presença do Joca e do Hugo. Manos mais novos, fizeram-se fortes e foram-se embora. É raro vê-los e muito mais precioso encontrá-los juntos. É tão bom quando alguém trata de juntar os que raramente se juntam.
MUITO BEM, PODE ESPERAR LÁ FORA QUE EU JÁ O CHAMO.
Ao contrário da Anna Bertha, sempre que vejo a malta da R-X, vejo a minha infância.
Foi em Novembro de 1895, mais precisamente numa 6ª feira, que o professor de física Wilhelm Conrad Röntgen, alemão, se encontrou acidentalmente com um novo tipo de raios. Investigando os invisíveis raios produzidos num díodo (feixes de electrões que se movem de um cátodo para um ânodo num tubo hermeticamente fechado) reparou que estes criavam uma feixe luminoso quando escurecidos. A sua experiência consistia em criar uma “janela” de alumínio por onde os raios pudessem sair e uma folha de cartão pintada com barium platinocyanide onde os mesmos incidiriam. Ora, ao incidirem nessa folha de cartão, Röntgen reparou que criavam uma luz fluorescente nada comum. Estavam descobertos, acidentalmente, os raios x.
SIM, SIM, A ALIANÇA TAMBÉM…
O nome dado a estes raios, que mais tarde iriam ficar mundialmente conhecidos e serviriam de imaginários a um sem número de romances, ficções e heróis da banda desenhada, não foi, tal como a descoberta dos mesmos, propositada. Pura e simplesmente ficaram designados pela expressão matemática do número desconhecido.
Foram 15 dias de intensas experiências, onde o professor passou a dormir no laboratório, escrevendo incansavelmente as suas notas.
Sensivelmente duas semanas após a descoberta da estranha luz fluorescente, tirou a primeira imagem por intermédio dos novos raios. A imagem foi a da mão da sua esposa, Anna Bertha. Consta que, ao observar a imagem do esqueleto da sua própria mão, Anna terá exclamado: “Eu vi a minha morte!”

AGORA DEITE-SE DE BARRIGA PARA CIMA. TEM A CERTEZA QUE NÃO TEM BOTÕES METÁLICOS?
Num destes fins de semana estive com a malta da minha rua. Fomos todos beber e comer a uma cervejaria dos subúrbios. O motivo foi o casamento do Frederico (ou Fred, como é conhecido pelos que cresceram juntos). Eu não fui convidado, claro, pois sou de uma geração mais velha. Quem é da geração dele são os nossos irmãos. E esses foram-no.
No final de um dia de verão, com as luzes dos candeeiros já acesas, alguém lançou uma bola à imaginária barra riscada entre as portas dos prédios. Eram tempos em que os carros não ocupavam todos os lugares de estacionamento. O Fred, miudito, estava à baliza e gritou 3 vezes: “Foi à ‘raba!’”. Um dia depois do seu casamento ainda é conhecido por isso. Há cicatrizes que a vida não gosta de apagar.
AGORA FIQUE QUIETO, SIM?
O convite veio do Miguel. O Miguel era o meu vizinho de baixo.
Pouco depois de se ter mudado para o nosso bairro, enganou-se e foi tocar à nossa porta. Quando a abrimos, o pequenito Miguel, assustado, desatou a chorar. Os pais não estavam em casa. Ainda agora tinham chegado a uma casa nova e já se tinham ido embora. Entrou e ficámos amigos para o resto da tarde. Passávamos os dias à espera de irmos brincar para casa um do outro. Eu sempre preferi os brinquedos dele e gosto de acreditar que ele também preferia os meus. Quando os trocávamos (e eu finalmente podia levar os soldadinhos do Miguel para o campo de batalha na colcha amachucada da minha cama) já éramos amigos para o resto da vida.
Os nossos irmãos nasceram no mesmo ano. O dele, o Filipe, estava sentado ao lado dele. A minha ficou em casa. Nessa noite não pode reencontrar quem nunca perdeu.
TCHACK!
Do outro lado estava o Nuno. Vivia no prédio ao lado e só ficámos amigos mais tarde. Ainda assim tivemos tempo para fazer jogos de futebol até ao por do sol e bastante depois disso. O Nuno jogava muito bem e todos queriam ser da equipa dele. Para além disso nunca se zangava e tinha quase sempre razão. Só reparei que gaguejava quando alguém mo disse. Há cicatrizes que só existem porque os outros querem.
O irmão também lá estava com a sua namorada nova. O Joca veio da Escócia de propósito para o casório. E desta vez a namorada é Polaca. Já lhe tínhamos conhecido uma Inglesa e outra Russa ou Lituana.
VIRE-SE AGORA DE BARRIGA PARA BAIXO, ESTÁ BEM?
Na ponta estava o Pedro. Vivia no prédio da frente e sempre foi o mais conflituoso. Nunca gostou de perder nem que os outros tivessem razão. Era sempre bom tê-lo na nossa equipa, pois dava caneladas nos outros a corria até não poder mais. Foi dos primeiros a falar-me sobre política e a mostrar-me os fundamentos do comunismo, apesar de uma ano mais novo. Era óptimo quando o Pedro podia vir à rua, pois assim já dava para fazermos uma equipa e jogar com a outra rua. E também atirava pedras com mais força do que qualquer um de nós!
O Hugo estava sentado em frente ao irmão mais velho. Ele também se fez forte e foi embora. Rumou à Suíça e aproveitou as promoções da easyjets para vir ao casamento.
AGORA QUIETO, POR FAVOR
Bastante mais tarde chegou o Ruben com a namorada. O Ruben era o irmão da Sandra, a rapariga mais bonita da rua. Todos nos apaixonámos por ela e, cada um à sua maneira, acreditou que ela gostava era dele. Ficámos a saber que já tem 3 filhos e, apesar de recentemente divorciada, foi viver para Espanha.
TCHACK
O motivo do encontro, afinal, não foi o casório, mas a presença do Joca e do Hugo. Manos mais novos, fizeram-se fortes e foram-se embora. É raro vê-los e muito mais precioso encontrá-los juntos. É tão bom quando alguém trata de juntar os que raramente se juntam.
MUITO BEM, PODE ESPERAR LÁ FORA QUE EU JÁ O CHAMO.
Ao contrário da Anna Bertha, sempre que vejo a malta da R-X, vejo a minha infância.
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